Especialista alerta para importância do diagnóstico precoce e intervenção no autismo

Os sinais de alerta do Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ser percebidos já nos primeiros meses de vida. Cerca de 80% das crianças com autismo apresentam alguns sinais antes do primeiro ano, como falta de contato ocular durante a amamentação, ausência de balbucios e desinteresse por interações sociais. Entre 1 a 2 anos de idade, as características ficam mais evidentes, o atraso na fala torna-se um dos principais indícios, além do desinteresse pela interação e movimentos repetitivos ficam mais evidentes.
Dra. Raimunda Varjão, especialista na área e com vasta experiência em Transtorno do Neurodesenvolvimento, é credenciada à Rede Vida Nobre e atuante no Centro de Tratamento Neurodivergente Integra, explica que a manifestação do TEA varia de criança para criança, mas há sinais comuns que devem ser observados com atenção. “Algumas crianças não atendem pelo nome, não apontam, não acenam e, quando contrariadas, podem apresentar desregulação emocional intensa, como se jogar no chão ou se machucar”, ressalta.
Diagnóstico e importância da intervenção precoce
O diagnóstico do TEA segue critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e é realizado por meio de observação clínica, escalas de rastreio e avaliação reconhecidas mundialmente. Segundo a Dra. Raimunda Varjão, não há uma idade mínima para se fechar o diagnóstico, mas identificar esses sinais e iniciar uma intervenção precoce é essencial para um melhor prognóstico.
A especialista alerta que, independentemente da confirmação do diagnóstico, crianças com atrasos devem iniciar terapias o quanto antes. “A intervenção precoce faz toda a diferença no desenvolvimento da criança. Quanto mais cedo iniciarmos o acompanhamento, maiores são as chances de evolução nas habilidades de comunicação e interação social”, enfatiza.
É essencial que a família e cuidadores atentem para o impacto negativo do uso precoce de telas, que privam os bebês de serem estimulados na área da interação e comunicação com pessoas, além de causarem irritabilidade, distúrbio do sono e outros prejuízos. “A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o início do uso de telas a partir dos 2 anos de idade e o que eu vejo são muitas crianças que já fazem uso de telas nos primeiros meses. Atrasa qualquer criança e numa criança com predisposição para o autismo isso vai impactar ainda mais”, pontuou a médica.
Terapias e suporte multidisciplinar
O tratamento do autismo deve ser personalizado e envolver profissionais capacitados. “A terapia baseada na Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é a que apresenta melhor eficácia no desenvolvimento de habilidades e na redução de comportamentos que podem impactar a qualidade de vida da criança”, destaca a Dra. Raimunda.
Além das terapias comportamentais, o suporte familiar e o ambiente escolar desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da criança com TEA. “A escola precisa estar preparada para acolher a criança e trabalhar sua inclusão de forma efetiva”, acrescenta.
Cenário nacional do TEA
O autismo tem sido cada vez mais diagnosticado no Brasil e no mundo. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 em cada 100 crianças no mundo apresenta TEA. No Brasil, um estudo publicado pela Revista Brasileira de Psiquiatria em 2021 apontou que a prevalência do transtorno pode chegar a 1 em cada 36 crianças, reforçando a necessidade de capacitação de profissionais e políticas públicas para o atendimento adequado.
Diante desse cenário, a Dra. Raimunda Varjão reforça a importância da informação e da conscientização para que mais famílias tenham acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado. “O autismo não tem cura, mas com o suporte adequado, cada criança pode desenvolver ao máximo suas habilidades e conquistar mais autonomia”, conclui.
O Centro de Tratamento Neurodivergente Integra, unidade da Rede Vida Nobre, conta com uma equipe multidisciplinar especializada no atendimento a crianças com TEA, oferecendo diagnóstico e acompanhamento com profissionais qualificados para garantir o melhor desenvolvimento possível aos pacientes.